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Outubro Rosa: Depois do Câncer, ainda é possível ser mãe?

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Por Dra. Carla Iaconelli, especialista em Reprodução Humana
Receber um diagnóstico de câncer muda, de uma hora para outra, a ordem das prioridades.


Surgem o medo, as dúvidas, a necessidade de iniciar o tratamento e uma série de decisões que precisam ser tomadas em pouco tempo. Para uma mulher que ainda está em idade reprodutiva, porém, existe uma pergunta que nem sempre aparece logo no começo: e se eu quiser ter filhos
no futuro?


Durante o Outubro Rosa, quando ampliamos a conversa sobre prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama, também considero fundamental falar sobre fertilidade e
maternidade depois do câncer.


“Quando uma mulher recebe um diagnóstico oncológico, naturalmente a primeira preocupação é tratar a doença. Mas, sempre que houver desejo de maternidade futura, a fertilidade também precisa entrar nessa conversa desde o início. Muitas vezes, temos uma janela de oportunidade antes do tratamento para pensar em preservação reprodutiva”, explica a Dra. Carla Iaconelli.


Alguns tratamentos contra o câncer podem afetar temporária ou permanentemente a função dos ovários. O impacto varia de acordo com diversos fatores, como a idade da paciente, o tipo e a localização do tumor, os medicamentos utilizados, as doses e o tratamento indicado pela equipe oncológica.
Isso significa que não existe uma única resposta para todas as mulheres.


“Nem toda paciente que passa por um tratamento oncológico ficará infértil. Da mesma forma, não podemos garantir que a fertilidade permanecerá preservada. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada e realizada, sempre que possível, antes do início do tratamento”, destaca a especialista.


O DIAGNÓSTICO CHEGOU. O QUE FAZER?


Para a mulher em idade fértil que recebeu recentemente um diagnóstico de câncer e ainda não começou seu tratamento, a orientação é conversar com o oncologista sobre o possível impacto da terapia na fertilidade.


Quando houver indicação e segurança clínica, a paciente pode ser encaminhada rapidamente para um especialista em reprodução humana. Entre as possibilidades existentes está o congelamento de óvulos, que permite preservar óvulos para uma tentativa de gravidez no futuro. Em alguns casos, também pode ser considerada a formação e o congelamento de embriões. Há ainda situações específicas em que outras
estratégias de preservação da fertilidade podem ser avaliadas pela equipe médica.


“Essa conversa precisa acontecer sem atrasar ou comprometer o tratamento contra o câncer. O trabalho deve ser conjunto. Oncologista e especialista em reprodução humana precisam avaliar o caso e definir qual estratégia é possível e segura para aquela mulher”, explica Carla.


E QUEM JÁ TERMINOU O TRATAMENTO?


Existe também outro grupo de mulheres: aquelas que enfrentaram o câncer anos atrás, finalizaram o tratamento e, em determinado momento da vida, começam a pensar em
engravidar. Nesses casos, uma avaliação reprodutiva pode ajudar a entender como está a função ovariana
e quais possibilidades existem.


“Ser uma paciente que teve câncer não significa automaticamente que a maternidade biológica
deixou de ser possível. Algumas mulheres mantêm sua função reprodutiva e podem engravidar espontaneamente. Outras precisarão do auxílio da reprodução assistida. Cada história é diferente”, afirma a médica.


Quando a paciente preservou óvulos ou embriões antes do tratamento, esse material poderá, após a liberação da equipe médica, fazer parte do planejamento reprodutivo.
Já para mulheres que não congelaram óvulos antes do tratamento e apresentam comprometimento importante ou perda da função ovariana, outras alternativas podem ser
discutidas.


A OVODOAÇÃO TAMBÉM PODE SER UM CAMINHO


Uma dessas possibilidades é a ovodoação, tratamento no qual são utilizados óvulos doados para a formação de embriões.
Embora o óvulo não seja geneticamente da mulher que receberá o embrião, ela poderá, quando houver condições clínicas para isso, vivenciar a gestação.


“Às vezes, a mulher chega ao consultório acreditando que, porque perdeu sua função ovariana depois do tratamento, todas as possibilidades de gravidez terminaram. E não necessariamente é assim. A ovodoação é uma das alternativas que podem ser avaliadas e pode permitir que essa mulher viva a experiência da gestação”, explica Carla Iaconelli.


Também existem situações em que, por questões relacionadas ao tratamento anterior ou à condição clínica da paciente, carregar uma gestação pode não ser recomendado. Nesses
casos, outras possibilidades reprodutivas podem ser discutidas com a equipe especializada, respeitando a legislação e as normas médicas vigentes.


MATERNIDADE TAMBÉM PRECISA FAZER PARTE DA CONVERSA


Para a Dra. Carla, o principal recado durante o Outubro Rosa é que a preservação da vida continua sendo a prioridade absoluta, mas isso não impede que os projetos futuros da paciente sejam considerados.


“Quando falamos em câncer, falamos primeiro em tratamento e em cura. Mas também precisamos olhar para a mulher que existe além daquele diagnóstico. Ela tem planos, desejos,
relacionamentos e talvez tenha o sonho de ser mãe. Informá-la sobre sua fertilidade também é uma forma de cuidado.”


Por isso, para mulheres em idade reprodutiva que recebem um diagnóstico de câncer, uma pergunta simples pode fazer muita diferença:
“Esse tratamento pode afetar a minha fertilidade?”
“A informação não significa criar uma obrigação de preservar óvulos nem prometer uma gravidez no futuro. Significa permitir que essa mulher conheça suas possibilidades e participe
das decisões sobre a própria vida reprodutiva”, conclui a Dra. Carla Iaconelli.

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